6 Comentários
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Avatar de Cristina Guedes

Esta é tbm a minha experiência.

Essa fui eu, corajosa, que parti, nao aos 23 mas aos 17.

Ele ficou, ausente, com ela, como ela. A mãe que não queria e nem sabia ser mãe.

Eu fugi e aos 21, a mae ausente veio pedir me ajuda. Manipulação emocional. Tardei em ceder mas dadas as circunstâncias, tornava me igual a ela. Ausente e peofundamente desumana. Fui. Levei a minha nova familia. Ele e ela mantiveram se iguais. Ele perturbou a realidade externa, depois de nao ser suficiente o seu desligamento interno. Fui licenciar me em psicologia para o auxiliar. Para, inclusive, combater o diagnostico que se manteve interrogado porque a figura da progenitora e carreirista na área da saúde mental tinha influência ao nivel micro e macro. Esquizofrenia? Não, eu própria haveria de lutar por um diagnóstico diferencial que permitisse que aqueles quase dois metros de altura pudessem suportar um estigma mais leve. Perturbação bipolar. E ficou. Só não se pode manter sem o sódio e o litio durante muito tempo.

Ele tornou se meu inimigo á distância. A única prova que me garantia que não era eu o alvo desse ódio fora a carta que eu lera dele dizendo que odiava a mãe e todas as figuras femininas e sobretudo maternais.

Queimou tudo, sobretudo a minha vida, quando ela reformada tentou, finalmente fazer se presente. Ela rejeitou o e mais uma vez eu fui o alvo dela. E também dele. Estou a cuidar dela no seu fim de vida. Sempre fui mãe da minha mãe. Tentei preencher os hiatos afetivos criados pela orfandade precoce dela. Tentei fazer o mesmo com ele, o meu irmão. Hoje não convivo com ele. Cortei lhe o acesso a mim mas não a ela. Quando o fiz, ele por manipulação e perda do controle sobre mim, afastou se completamente dela. Ligava lhe quase todos os dias. Aparecia sem aviso. Já lá vão quase 4 meses que nao lhe telefona, nao vai vê la. Não vai buscar o dinheiro que era uma das forças propulsoras de o ligar ao núcleo. De se castigarem mutuamente. Sobro eu com ela. Por obrigação moral. Grata pelo feedback. Existem outras pessoaa e outras linhas de tempo. Nessas, eu sou livre. Sou alforriada e progenitora de mim. Materno me saudavelmente

Avatar de Tamires Correia

Obrigada por compartilhar sua história, Cristina! Às vezes, a criança que foi abandonada acaba se tornando a mãe de todo mundo: da própria mãe, do irmão, da família inteira.

Há uma tristeza enorme em perceber que amor, cuidado e sacrifício nem sempre são suficientes para salvar alguém. E há também muita coragem em reconhecer os próprios limites e interromper ciclos que pareciam destinados a se repetir para sempre.

Gostei especialmente da sua última frase: "Existem outras pessoas e outras linhas do tempo. Nessas, eu sou livre." Talvez seja isso que tantas de nós estejamos tentando construir - uma vida em que finalmente possamos ocupar o lugar de filhas de nós mesmas, e não de cuidadoras de todas as dores ao redor.

Desejo que essa liberdade continue encontrando espaço para crescer. 💙

Avatar de isabella a. ponciano moraes

Sempre adoro te ler!

Avatar de Tamires Correia

obrigada isaaaaa! 💙💙💙💙💙

Avatar de Carolayne Ramos

Tamires, Tamires... Como consegues ser tão visceralmente bela? Superas-te a cada texto; que incrível é poder viver no mesmo espaço-tempo do que tu. Obrigada por partilhares tanto connosco e por me inspirares! 🤎

Avatar de ariane. aor

leitura extraordinária!!!!